Clubinho do Livro: My Friend Anna

Clubinho do Livro: My Friend Anna

Sempre foi o meu sonho fazer parte de um clube do livro. Quando passei uma temporada em Nova York eu realizei esse sonho (sim, sonho). Me juntei a dois. Foi caótico e maravilhoso mas ficou para trás. Eu não acredito que demorei a vida inteira para criar coragem para criar o meu próprio Clubinho. Nossa reunião foi engraçada, intimista e, honestamente, tudo que eu precisava durante esse período de confinamento e isolamento social. Obrigada Luiza V., Luiza A. e Luciana pela companhia e pelas risadas <3.

A gente começou as atividades do Clubinho do Livro com a leitura mais fácil (e menos elaborada) de todas. My Friend Anna – the true story of the Anna Delvey, the fake heiress of New York City.

Em 2018, Rachel DeLoache Williams, uma editora de fotografia da Vanity Fair contou na revista a história da sua amizade breve e MUITO TURBULENTA com a falsa herdeira de Nova York. Anna Delvey (que na verdade se chama Anna Sorokin) hoje está cumprindo pena por golpes que somam mais de 250 mil dólares. Uma outra “amiga” da Anna, que era recepcionista em um hotel que ela morou, também publicou a sua versão da história no The Cut.

O livro é breve assim como a amizade das duas, que durou (pela matemática que fizemos juntas — somos todas de humanas) uns 6 meses no total. Isso não desculpa, porém, a falta de profundidade na escrita da autora. O verdadeiro inimigo aqui é o tempo, mas não o tempo de convivência com da Rachel com a Anna e sim a pressa para a publicação. O golpe que a Rachel sofreu aconteceu em maio de 2017, foi a julgamento em abril de 2019 e o livro em que ela narra o seu lado da história foi publicado poucos meses depois.

Nele, ela conta que o processo de escrita foi a forma que ela encontrou de processar o que aconteceu — em um momento de fragilidade emocional conheceu e confiou em uma pessoa que não era quem dizia ser, tornando assim uma vítima de um golpe financeiro*. Assim…

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Vamos falar sobre a Caroline Calloway

Vamos falar sobre a Caroline Calloway

A primeira vez que eu ouvi falar da Caroline Calloway foi em janeiro de 2019. Foi quando ela virou notícia em um dos peculiares nichos que eu sigo na internet — o erudito ninho de cobras da mídia local de Nova York no Twitter. São jornalistas, colunistas e freelancers que orbitam veículos como o BuzzFeed, Jezebel, The Cut, HuffPost e por aí vai.

Nessa época a influencer virou assunto quando começou vender ingressos, por uma bagatela de USD 165 (taxas não inclusas), para uma turnê de “workshops de criatividade”, “seminários sobre como ser você mesma”, um meet-and-greet cheio de firulas que tinha cara de furada. O evento prontamente ganhou o apelido de “Fyre Festival” das blogueiras.

Caroline prometeu eventos em várias cidades dos Estados Unidos, onde as suas seguidoras teriam direito a um encontro pessoal, uma sacolinha de presentes e uma coroa de flores. É que uma das marcas registradas da CaroCallo é gastar dinheiro com vasos de orquídea só para arrancar as flores da planta para usar elas de adorno no cabelo.

Ela compartilhou algumas datas com o pessoal através do Instagram (a única plataforma que ela usa), embolsou a grana das fãs e a desorganização aparente fez com que as pessoas começassem a desconfiar. A coisa ficou bem óbvia quando ela encomendou mil e duzentas jarras de palmito (que nos Estados Unidos e na região da Faria Lima em São Paulo eles chamam de Mason jar) e entrou em pânico nos Stories porque assim que elas chegaram ela descobriu que não tinha onde guardar. Continue lendo “Vamos falar sobre a Caroline Calloway”