Torcer para um time grande deve ser horrível 

Torcer para um time grande deve ser horrível 

Se você não sabe como e torcer para um time que está constantemente na série B ou na segunda divisão (na verdade eu nem sei qual a nomenclatura correta, de tanto que não sei de futebol) eu vou te contar como é.

É assim: a sua família enorme, composta de 8 tias e 7 tios, toda torce para o pobre time em questão.

Ir ao estádio é uma piada porque, invariavelmente, durante o intervalo ou ao fim do jogo alguém que você mal conhece ou sequer lembra o nome vai se despedir dizendo “manda um abraço pra sua mãe!”, e você fala “pode deixar!”.

A lei estadual diz que é proibido beber na arena – mas a regra não se aplica aos jogos do seu time. A torcida organizada também é uma grande família e ninguém tem muito interesse em caçar briga com o “primeiro decacampeão do brasil” – que conquistou os títulos entre 1916 e 1925. Continue lendo “Torcer para um time grande deve ser horrível “

Eu não tenho lugar no mundo e está tudo bem

Eu não tenho lugar no mundo e está tudo bem

Há noções que preciso abandonar nessa eterna busca pela felicidade. Já estou com 28 anos e minha vida em nada se assemelha com aquilo que imaginei no auge dos delírios da adolescência.

Eu não moro em um apartamento enorme de paredes roxas com os amigos que chamo de família. Aliás, destes amigos, só um ou dois saíram da casa dos pais.

Uma vez disse a uma delas que meu maior medo era me tornar um desses encostos que moram na casa da mãe por toda a eternidade. Ela me disse “mas o que tem de errado nisso?”. Me senti quase que ofendida – essa conversa aconteceu há mais de um ano.

Mas levando em conta que a infância é uma construção e um modelo social que não existia há, sei lá, 100 anos, e que continua evoluindo de forma em que ela dure cada vez mais e mais, eu é que não vou dar murro em ponto de faca achando que a vida do jovem adulto vai continuar a existir da forma que existiu quando ela me foi ensinada.

Só agora percebo que moro, sim, com a minha mãe e é por escolha. E está tudo bem. Eu até hoje não decidi onde é que quero criar raízes – se é que quero criar raízes em algum lugar. São Paulo? Muitas mentiras. Rio de Janeiro? Prefiro morrer (mas do jeito que as coisas andam por lá, a probabilidade de morrer prematuramente é bem alta). Curitiba? Quem sabe durante alguns meses?

Enquanto isso eu faço o que dá. Vivo com conforto e invisto em um modelo de trabalho independente enquanto busco gratificação através dos jobs, da escrita, dos estudos avulsos que faço sem muitas pretensões mas com muito compromisso e junto dinheiro para a prática mais millennial de todas, que já virou até um termo jocoso: ser nômade digital.

E eu vou fazer o quê? Essa é a minha geração, esses são meus (não) valores, essa é a minha realidade.

Foi um longo processo até me sentir em paz nesse espaço que criei no mundo.

A próxima parada geográfica eu ainda não sei apontar no mapa, mas em breve estarei por lá. Quanto às noções que preciso abandonar, a próxima será a de que necessito de um parceiro romântico para me sentir completa – mas não me preocupo muito, sei que já estou quase chegando nesse lugar.*

*Nota de esclarecimento da autora: eu amo amar e sou apaixonada pelo amor. Sou uma romântica 100% incurável. Só não creio que uma cara-metade deva servir de bússola na minha vida mais.

 

A carta de amor mais triste

A carta de amor mais triste

Já faz um mês que parti meu coração rompendo seja lá o que era que nós tínhamos e tudo que sei sentir é apatia e solidão.

Eu preencho as manhãs com trabalho e listas intermináveis de coisas para fazer. É com tanta voracidade que desempenho minhas tarefas logo depois de acordar que o que me resta são tardes que não sei preencher, a não ser por tentar afastar o sentimento da sua ausência na minha vida. Continue lendo “A carta de amor mais triste”

Tempo para ter tempo

Tempo para ter tempo

Estou ansiosa porque acho que não vai dar tempo e que logo vai ser tarde demais.

Vago isso, né?

Mas hoje a ansiedade brota dos emails de trabalho que não me respondem, emails que queria receber para saber do que vai ser do resto do meu dia, do meu amanhã, dos próximos seis meses.

Trabalhar de casa como freelancer não ajuda se você é uma pessoa que quer certezas na vida, mas foi a escolha que eu mesma fiz em nome da minha liberdade – que claramente não sei muito bem como administrar.  Continue lendo “Tempo para ter tempo”

Existe companhia na solidão

Existe companhia na solidão

Ansiedade é uma coisa muito louca. Na verdade, eu não sei te dizer qual patologia está agindo no momento, pode ser depressão, pode ser transtorno bipolar, pode ser ansiedade. Acho que nem os médicos sabem direito e também não acredito muito nesses rótulos específicos demais para…. enfim.

Mas uma coisa é real: a dor. É a sensação de não conseguir respirar, de desejar ser invisível para poder correr para o canto da sala de aula e chorar abraçando os joelhos, de querer arrancar sua pele e seus cabelos, abrir suas veias ou seja lá como isso se manifesta nas outras pessoas. Continue lendo “Existe companhia na solidão”