Paris – Semana 31

(…)

Hoje fazem 7 meses que eu saí de BH e nas últimas semanas eu tenho chorado muito porque já passei da casa dos 6 meses (ou seja, a metade do tempo de validade do meu visto). É claro que não é só por isso que choro, mas tenho sido tomada por uma melancolia porque os 6 primeiros meses foram de descobertas, um pouco de receio, de perrengues – porra, eu morei em 5 casas diferentes! Eu demorei para me estabilizar financeiramente, e mesmo assim estou vivendo salário por salário. Eu preciso lembrar às vezes que a vida não é só para pagar contas e sobreviver, tenho que me forçar a gastar um pouco de dinheiro com uma roupinha aqui, um drink ali, às vezes um restaurante. Senão eu fico presa num ciclo de austeridade triste auto-imposta que não faz valer a pena a minha experiência. Ganhar em reais e gastar em outra moeda é um pesadelo, né? Mas as coisas melhoraram, ainda bem. Consegui equilibrar os trabalhos do Brasil e o trabalho daqui.

E só agora eu tenho um lugar fixo, que é o lugar dos sonhos para mim, hoje. É o bairro mais bonito do mundo, eu ouso dizer. Meu quarto é confortável, meu colega de apartamento é uma pessoa maravilhosa, minha cozinha é 100% equipada, tenho uma máquina de lavar roupa! Porque convenhamos que as laundromats são legais quando se tem uma companhia para fazer um photoshoot improvisado – eu nunca tive. Inclusive na minha rua tem uma linda, só vou por os pés nela se for para tirar fotos com alguém, mas se eu saí de casa com a minha câmera aqui 2 vezes foi muito.

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Também não tenho escrito. Achei que ia escrever tanto aqui, mas a vida atropela porque estou ocupada… vivendo? Mas quero sim voltar a escrever. Me faz falta. Pelo menos eu tenho lido MUITO!

Voltando à melancolia, ontem mesmo eu liguei para a minha mãe e chorei. Não foi a primeira vez que eu falei “não, mãe, não tem nada de errado, é que eu não quero ir embora e é por isso que eu tô triste”. Enfim…

(…)

Em nenhum momento, nenhum dia sequer, eu me senti “desconfortável” com a cidade. Em qualquer canto que vou, toda vez que volto para casa (qualquer uma da casas), eu me sinto tranquila e feliz. Porque minha casa sou eu, e eu estou exatamente onde eu queria estar. Meu casaco de poodle e minha jaqueta de couro (desculpa, fouro, ((qual a tradução para pleather?)) sempre ficam pendurados e à vista onde quer que eu esteja morando. Pequenos pertences como minha garrafinha d’água com um carvão ativado estão sempre em algum canto do quarto, minha máscara de dormir, que é de unicórnio, (risos) está sempre em cima do travesseiro… Mas mesmo sem essas coisas, eu sei que eu sou eu isso me deixa feliz.

 

(…) eu nunca planejei morar aqui, mas a cada dia que passa eu amo mais a cidade. Eu sempre descubro uma rua nova, uma esquina, um bar, uma vista, uma escadaria. Eu não me canso de ver a torre Eiffel despontando dos lugares mais inusitados ou até do caminho que faço todo dia até o metrô. É deslumbrante e surreal. E muitas vezes eu rio comigo mesma pensando “caralho, eu não acredito que eu moro em Paris!”.

Agora eu preciso fazer um trabalho e pensar bem no que eu quero para os próximos 5 meses que me restam. Quando o outono começou eu entrei na famosa fase de isolamento – também porque minha casa é tão gostosa e confortável. Mas está na hora de voltar a sair um pouco e ver gente, conhecer pessoas e aproveitar ao máximo. Pegar de volta a energia que eu tinha quando cheguei.

*Trechos de um email que mandei para minha amiga Nadia.

**Estou morando em Paris desde maio de 2018 com o visto Vacances-Travail (Férias-Trabalho).

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