Eu não sei manter uma planta viva

Eu não sei. Eu já tentei com várias espécies ao longo de vários anos e foi batata: nenhuma planta sai ilesa depois de passar pelas minhas mãos.

Minha primeira planta foi um pé de arruda. Quando eu era criança, minha avó tinha arbustos de arruda na horta e era o meu cheiro preferido. Numa mistura de resgate da infância e tentativa de ser adulta o suficiente para manter plantas em casa terminei no meu mesmo status de sempre: nem adulta, nem criança. Fracassada. Incapaz de manter uma planta viva.

Me falaram que a arruda era assim mesmo. Era planta de espantar olho gordo. Muito sensível às mudanças de ambiente. Capta energia negativa. Pronto, agora eu achava que tinha matado a arruda com meu baixo astral.

Então eu me lembrei do manjericão: tinha fama de ser praga, matava todas as plantas. Orra, uma praga eu achei que pudesse cultivar. Já que ela fazia tanto esforço para dominar os jardins, ela devia fazer o mesmo esforço para manter-se viva. E fez. O manjericão durou meses, quase um ano. Foi vítima de pulgões, de chá de tabaco pulverizado que manchou suas folhas para matar os pulgões, mas morreu mesmo assim. Ainda não sei dizer se foi vítima de maus tratos ou negligência.

Logo depois decidi ter um pé de alecrim. A planta também tinha cheiro de infância e parecia mais resistente que a arruda ou o manjericão. Era toda dura e com as folhas escuras, muita cara de resistência. Eu não sei o que houve com meu primeiro alecrim, só lembro que morreu. Já o segundo foi assassinado pela minha cachorra. Ela subiu em um móvel e empurrou o vaso no chão. Caiu terra, caiu planta, tive que voltar tudo para o vaso. Não adiantou. Minhas mãos amaldiçoadas encostaram na raiz do alecrim e ele nunca mais quis ser planta.

As suculentas foram três. Uma eu deixei de regar por umas semanas porque tinha sido presente de um ex. Quando vi que a planta estava morrendo tentei compensar a falta de água e matei a coitada afogada. Dava uma flor linda. Que ela descanse em paz. Uma outra também morreu na mesma época, estava sem saco para cuidar de mim, quem dirá das plantinhas. E então sobrou só mais uma, que está aqui até hoje – há dois anos e sete meses, porém respirando por aparelhos desde que troquei a terra dela por uma que achei que era melhor (não era não, a vagabunda da suculenta amava a terrinha porcaria que veio no vaso e nunca se adaptou à terra que eu lhe dei).

Tentei plantar sementes (morreram afogadas), tentei cuidar de duas samambaias: uma deixei no Centro de Tratamento Intensivo na casa da minha tia que tem até um pé de limão no apartamento, a outra está aqui na minha frente tentando cometer suicídio. Não desisto.

Na semana passada ganhei meu sonho de jardim: três mudas robustas de lavanda. Me disseram para aguar uma vez por semana e para tirar da cestinha de muda. Elas já chegaram tão bonitas que resolvi nem mexer. Obedeci as ordens de quem me deu, molhar apenas uma vez por semana.

Os botões de flores acordaram murchos depois de três dias. Pedi socorro para a minha vizinha que parece ter a vida em ordem e tem várias plantas em casa. Sem dó, ela tirou as mudas do vaso, arrancou as cestinhas que prendiam as raízes, colocou em um vaso com “terra de verdade”. Fiquei horrorizada com seu manejo bruto, preciso, confiante. E não é que deu certo? Pelo menos até agora.

sofia plantas
Sofia presta seus serviços de SOS Prantinhas

Apesar de tudo isso, tem uma planta que vive e prospera sem nenhum cuidado aqui em casa. Um dia acordei com a pior ressaca da minha vida e a minha mãe foi buscar no jardim do prédio umas folhas de boldo, que tive que beber para vomitar ainda mais bile. Coloquei as que não utilizei em um copo de vidro com água.

As três folhinhas viraram uma planta de 30cm que olha para mim todas as manhãs para me lembrar que até hoje, além de não saber beber direito, não tenho controle nenhum sobre as vidas verdes ao meu redor.

3 comentários em “Eu não sei manter uma planta viva

  1. Adorei o texto! Hahaha ❤ Era da mesma forma comigo, me identifiquei demais, mas algo virou esse ano e to conseguindo manter algumas suculentas e ervas aromáticas. To fazendo tudo como protocolo pra não dar espaço pra morte, haha. E tá funcionando. Por enquanto.

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  2. HAHAHA eu amei seu texto! ano passado eu coloquei na cabeça que queria cuidar de suculentas, mas não contava com o fator GATOS. aí eu até que tava indo bem, até meu gato derrubar a coitada 3x na mesma semana. na terceira vez, ela ficou tão destruida, que basicamente tava pedindo que eu desligasse os aparelhos, aí fiz isso 😦 aí semana passada eu acabei comprando mais 4 suculentas, dessa vez em vasinhos mais pesados e coloquei em uma mesa maior. até agora tá tudo certo e nenhum gato derrubou.. oremos.

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