Torcer para um time grande deve ser horrível 

Se você não sabe como e torcer para um time que está constantemente na série B ou na segunda divisão (na verdade eu nem sei qual a nomenclatura correta, de tanto que não sei de futebol) eu vou te contar como é.

É assim: a sua família enorme, composta de 8 tias e 7 tios, toda torce para o pobre time em questão.

Ir ao estádio é uma piada porque, invariavelmente, durante o intervalo ou ao fim do jogo alguém que você mal conhece ou sequer lembra o nome vai se despedir dizendo “manda um abraço pra sua mãe!”, e você fala “pode deixar!”.

A lei estadual diz que é proibido beber na arena – mas a regra não se aplica aos jogos do seu time. A torcida organizada também é uma grande família e ninguém tem muito interesse em caçar briga com o “primeiro decacampeão do brasil” – que conquistou os títulos entre 1916 e 1925.

Não tem briga de torcida, os jogos não são lá os mais emocionantes – então você pode ocupar 2 ou 3 assentos sem incomodar ninguém, e também pode ou relaxar e aproveitar o momento (rir dos trapalhões em campo enquanto defende a honra deles, óbvio) ou contar para as suas primas ou amigas convertidas sobre os últimos grande eventos da sua vida.

Apenas uma vez eu fui zoada depois de sair do nosso estádio após uma derrota. Estava enrolada na bandeira do América MG quando um cruzeirense sem empatia e sem coração tentou me dar um susto num mix de machismo e hooliganismo (aliás, o que é o futebol masculino sem machismo?).

Torcer para um time ruim é tudo de bom porque te livra do stress que acompanha os super fanáticos dos times-estrela. Cada vitória é uma conquista, enquanto cada derrota é apenas uma eventualidade corriqueira.

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Hoje fui a um jogo do Cruzeiro. Menor ideia de qual campeonato estão disputando, mas passei raiva na fila do tropeiro do Mineirão, acabou a comida, não consegui ver o campo direito, um homem nojento ficou insistindo em fumar no ponto mais alto da arquibancada, bem próximo ao teto, de forma que eu vou chegar em casa com cheiro de balada em 2007. Que nojo????

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O timão aqui fez um gol, foi incrível a vibração. Mas não muito tempo depois tive que ir passear lá fora para respirar um ar e beber um pouco de água. A multidão drenou minha energia.

Meu pescoço está doendo por causa de toda essa ansiedade que envolve filas e outros acontecimentos que fogem do meu controle, pensar em achar um uber para nos levar pra casa já fez meu estômago começar a doer.

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Felizmente o jogo terminou empatado. 1×1 com o Flamengo. Se o outro time tivesse vencido eu ainda teria que absorver as bad vibes e frustração de homem puto com o time.

Foi ótimo, adorei, já posso contar para todos os gringos que vi um jogo no estádio do 7×1. Mas eu nunca mais quero ir em um jogo que não seja do meu querido e simpático América MG. Essas grandes emoções não são pra mim.

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Obs: às vezes tem tropeiro de graça no jogo do América MG, melhor time. América eu te amo. 🐰💚

4 comentários em “Torcer para um time grande deve ser horrível 

  1. Todos os incovinientes e hostilidades provenientes do machismo presentes na cultura dos estádios precisam mesmo ser destacados – de preferência pelas mulheres – Sejam elas frequentadoras ou pesquisadoras, que se fazem mais presentes nestas rodas de discussões, que antes eram lugares restritos da figura masculina. Embora faça estas importantes considerações o texto caminha na direção de generalizações perigosas e ataca a única coisa, que ao meu ver, deveriam ser exaltada no futebol – a sua capacidade de ser popular. Cada vez mais elitizado o futebol se desfaz pouco a pouco da catarse do jogo, da massa e do sentimento de unidade que os grandes jogos proporcionam, uma experiência que é única exatamente por nos fazer esquecer do resto do mundo naqueles 90 minutos: em que você ficou com nojo do cheiro do cigarro da balada de 2007, ou preocupada com o uber para voltar para casa. O conforto, a família e a crítica de tudo aquilo q um dia fez do futebol um esporte popular vai de encontro a um discurso higienista – que vem embranquecendo e esvaziando os estádios país a fora – curiosamente e ao contrário do que o texto propõe a resistência está nos jogos dos pequenos, não pela ausência de público, ou desinteresse dos torcedores – mas pela experiência e pela identidade que os jogos destes clubes ainda preservam.

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    1. 1- eu sei que o machismo tem que ser discutido, eu sou mulher, sou eu que sofro com ele. mas obrigada pela dica 😉
      2- você fez esse discurso sobre a elitização e o embranquecimento do futebol porque acha que eu o ignoro ou porque você responde comentários de forma ponderativa como se estivesse escrevendo a introdução de uma tese?
      3- se eu fosse O Grande Opressor do Futebol de Raiz que você parece estar defendendo, como que, ao mesmo tempo, eu sou a sua proposta de “resistência”?
      4-você não entendeu que é um texto pessoal do meu ponto vista ou fingiu que não entendeu pra poder escrever textão? pq de qualquer forma, ficou feio pro seu lado.

      bjos te vejo no independência

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  2. Sinto muito pelo incoviniente da minha observação,
    Sobretudo se te passei a impressão de um tom professoral.
    Acho brega essa história de raíz x nutella, mas assumo minha inquietação com o processo de elitização do futebol.
    Destaquei a importância das suas colocações em relação ao machismo e em momento algum quis te dar alguma dica em relação ao tema, tanto q nem toquei no assunto, embora eu tenha me envolvido bastante com ele.
    Como jornalista gosto de provocar algumas reflexões a partir de reflexões dos outros – sem desrespeita-las, de preferência. Mas eu erro, e possivelmente posso ter errado na interpretação do seu texto. me desculpa novamente.
    Abs
    Pedro

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  3. Faz uns dez anos que eu não me interesso mais por futebol, mas já fiz parte de um time pequeno – minúsculo, aliás, time do colégio. Era ótimo, a gente se divertia à beça, a torcida era ainda menor mas era fiel. DEUZULIVRE PASSAR NERVOSO com esse negócio de ~futebol profissional~, multidões torcendo, briga de torcida, ingresso caro em estádios gigantes, craques milionários. Levantar o caneco é ótimo, mas não vejo como é que a gente garra amor num time grande onde parece que existem mais barreiras do que meios pra gente se sentir em casa e apreciar aquilo ali. E “Cada vitória é uma conquista, enquanto cada derrota é apenas uma eventualidade corriqueira.”: vc resumiu bem demais o sentimento nisso aqui!
    :***

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