Eu não tenho lugar no mundo e está tudo bem

Há noções que preciso abandonar nessa eterna busca pela felicidade. Já estou com 28 anos e minha vida em nada se assemelha com aquilo que imaginei no auge dos delírios da adolescência.

Eu não moro em um apartamento enorme de paredes roxas com os amigos que chamo de família. Aliás, destes amigos, só um ou dois saíram da casa dos pais.

Uma vez disse a uma delas que meu maior medo era me tornar um desses encostos que moram na casa da mãe por toda a eternidade. Ela me disse “mas o que tem de errado nisso?”. Me senti quase que ofendida – essa conversa aconteceu há mais de um ano.

Mas levando em conta que a infância é uma construção e um modelo social que não existia há, sei lá, 100 anos, e que continua evoluindo de forma em que ela dure cada vez mais e mais, eu é que não vou dar murro em ponto de faca achando que a vida do jovem adulto vai continuar a existir da forma que existiu quando ela me foi ensinada.

Só agora percebo que moro, sim, com a minha mãe e é por escolha. E está tudo bem. Eu até hoje não decidi onde é que quero criar raízes – se é que quero criar raízes em algum lugar. São Paulo? Muitas mentiras. Rio de Janeiro? Prefiro morrer (mas do jeito que as coisas andam por lá, a probabilidade de morrer prematuramente é bem alta). Curitiba? Quem sabe durante alguns meses?

Enquanto isso eu faço o que dá. Vivo com conforto e invisto em um modelo de trabalho independente enquanto busco gratificação através dos jobs, da escrita, dos estudos avulsos que faço sem muitas pretensões mas com muito compromisso e junto dinheiro para a prática mais millennial de todas, que já virou até um termo jocoso: ser nômade digital.

E eu vou fazer o quê? Essa é a minha geração, esses são meus (não) valores, essa é a minha realidade.

Foi um longo processo até me sentir em paz nesse espaço que criei no mundo.

A próxima parada geográfica eu ainda não sei apontar no mapa, mas em breve estarei por lá. Quanto às noções que preciso abandonar, a próxima será a de que necessito de um parceiro romântico para me sentir completa – mas não me preocupo muito, sei que já estou quase chegando nesse lugar.*

*Nota de esclarecimento da autora: eu amo amar e sou apaixonada pelo amor. Sou uma romântica 100% incurável. Só não creio que uma cara-metade deva servir de bússola na minha vida mais.

 

Um comentário em “Eu não tenho lugar no mundo e está tudo bem

  1. Sobrinha querida…. assim é a vida neste planeta: buscar… encontrar…
    duvidar…angustiar…
    Alegrar…e aí começamos tuuudooo de novo.
    A ordem nunca é a mesma…mas sempre nos depararemos com estes sentimentos e seus semelhantes… mas pode confiar…em algum momento todas as buscas começam a fazer sentido e o equilibrio fica mais proximo e dura alguns momentos a mais…

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