Existe companhia na solidão

Ansiedade é uma coisa muito louca. Na verdade, eu não sei te dizer qual patologia está agindo no momento, pode ser depressão, pode ser transtorno bipolar, pode ser ansiedade. Acho que nem os médicos sabem direito e também não acredito muito nesses rótulos específicos demais para…. enfim.

Mas uma coisa é real: a dor. É a sensação de não conseguir respirar, de desejar ser invisível para poder correr para o canto da sala de aula e chorar abraçando os joelhos, de querer arrancar sua pele e seus cabelos, abrir suas veias ou seja lá como isso se manifesta nas outras pessoas.

Talvez você entenda, ou talvez isso te ensine, mas quando vem o sufoco e a sensação de não caber em si, sair do confinamento e ir para um lugar onde se pode ver o céu é melhor do que qualquer rivotril. O problema é que as grades invisíveis às vezes te impedem de sair de onde você está, porque tudo que é novo (mesmo que seja a calçada da rua onde você mora) parece ameaçador.

Seus amigos talvez não compreendam, mas aqueles que estão ao seu lado de verdade vão simpatizar. Esses são aqueles que ainda não desistiram de te fazer sair de casa, que continuam ouvindo seus problemas sem mudar de assunto, que não te julgam quando você bebe demais e precisa se deitar do lado da privada deles enrolada num cobertor, que te ligam às 7h da manhã porque você pediu antes de dormir. São aqueles que moram longe e com quem você não fala há meses mas que vão te ouvir e te fazer sentir um pouco mais como você mesma.

Nas horas mais escuras é impossível* ter a esperança de que tudo passa e que isso vai passar também. Você sequer consegue se lembrar de como é sair de casa e dar bom dia para desconhecidos na rua ou de como é bom ter ideias novas e ter esperança para o futuro, porque no vazio onde você se encontra não existe futuro, só dor.

Quem sou eu para dar conselhos? Ninguém. Eu mesma não consigo olhar pra frente no momento e sentir qualquer coisa além de medo. Eu só vim aqui para dizer que, se você chegou nesse ponto desse textão e também se sente como eu, você não está sozinho.

As últimas semanas foram terríveis. Eu não soube pedir ajuda, eu me abri com as pessoas erradas e eu tive medo de falar com a minha mãe porque a última coisa que eu quero é que ela sinta dó de mim. Nem para o meu psiquiatra eu tive coragem de contar o quão difíceis as coisas têm sido, porque só de pensar em tomar mais remédios, aumentar doses e gastar ainda mais dinheiro na farmácia, um pouco de bile sobe para a garganta.

Tudo que eu posso dizer é que eu fiz o mínimo possível no trabalho, o mínimo possível na pós, o mínimo possível pelos meus amigos. Felizmente minha ansiedade é exigente, então o meu mínimo possível não é tão ruim assim – e os meus amigos de verdade apenas entendem.

O que me deu forças pra escrever sobre isso e começar a me sentir um pouco menos merda foi a minha vizinha, que me chamou pra passear com as nossas cachorras na pracinha perto de casa, e o meu colega na pós, que conheço desde os 15 anos de idade e que toma café comigo entre as aulas todas as terças. São duas pessoas que até ontem não faziam parte da minha vida, mas com quem eu não precisei dizer muitas palavras para me sentir confortável e compreendida – do lado de fora, de onde dá pra ver o céu.

*Impossível: im·pos·sí·vel – Que não é possível, que não tem possibilidade. Que não é realizável, que não pode ser feito; impraticável, inviável, irrealizável. Que foge do usual; que é fora do comum; extraordinário, extravagante, irracional. Que não se pode admitir, explicar; impensável, inadmissível, incrível. 

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