Eu me odeio um pouco por causa dos homens com quem estive

“22 anos, colágeno puro!” meu parente disse sobre a namorada 10 anos mais nova. Meu primeiro pensamento não foi “que babaca” e sim “saudades do colágeno dos 20 anos” – ignorando por completo todo o caminho percorrido dos meus 22 até aqui.

Dos 22 anos pra cá eu trabalhei, eu passei por diferentes experiências profissionais, eu estudei línguas diferentes e aprendi a ser minha própria chefe, eu persegui a independência financeira e a emocional, eu aprendi a me vestir com bom gosto e bom senso, eu parei de sofrer tanto com o que os outros pensam. Eu parei de pensar cinco vezes antes de falar, ou até de deixar de falar, por medo de parecer burra. eu abracei a mulher inteligente que sou, eu tirei muitas selfies nos dias em que sai de casa muito gata.

Até os 22 anos nenhuma dessas conquistas fazia parte de mim. Aos 22 anos eu acreditava que o meu valor estava no meu corpo e na minha juventude. Eu fui para a cama com pessoas de todos os tipos e idades porque eu acreditava que estava exercendo a minha liberdade sexual. Com 22 anos eu não sabia que estava usando meu corpo como moeda de troca por um pouco de atenção ou gentileza, eu achava que eu devia o meu corpo a quem quer que fosse que me pagasse uma bebida ou me desse um elogio.

Quando eu penso em algumas pessoas com quem fui pra cama eu me odeio um pouco. Eu sinto nojo das peles que se esfregaram na minha, repulsa pela assimetria dessas relações, culpa pela minha ingenuidade, ódio por não poder apagar isso da minha cabeça em momentos como agora, em que tento dormir.

“Ah mas nem todos os homens…”. Talvez. Houve homens que me trataram com cortesia antes e depois de me comer, que perguntaram se eu cheguei bem em casa ou que me agradeceram pela companhia na noite passada. Mas veja bem, eles são a exceção, e não fizeram o mínimo que uma pessoa gentil e dotada de empatia faria.

Isso tudo sem contar das vezes que permiti me apaixonar por quem não teve a decência de botar freios na quase-relação sabendo do seu desnivelamento e da iminente catástrofe emocional. E o pior é que esses sabem o que fazem – eu já ouvi deles.

Eu me odeio um pouco por causa dos homens com quem estive; não existe amor próprio que apague esses erros.

19 comentários em “Eu me odeio um pouco por causa dos homens com quem estive

  1. Eu nunca estive com um homem e provavelmente nunca vou estar kkkk, mas dá pra sentir sua dor e saber o quanto deve ser difíceis, esses momentos em que essa lembrança vem.

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  2. Quando vi o título, pense: eu. Foi bom ler seu relato. Tenho sentimentos parecidos, um tanto já curei, mas ainda caminhando… Autoconhecimento e perdoar-se, viver o agora… Eis o antídoto.

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  3. Um sentimento feminino universal. Atire a 1a pedra quem nunca se arrependeu de ter dado “praquele(s) cara(s)” . obrigada por dividir isso com a gente ,Marcela. ❤

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  4. Sim, concordo com você! Em sua grande parte homens são assim. Porem, não deixo de ver minhas experiencias tão frustrantes como as suas, e vindas de mulheres (sim, em sua maioria, mais honestas e diretas nos casos do que homens, mas nem sempre). O fato é que erramos muito em nos relacionar, momentos, sentimentos, motivos, pessoas. O Sem humano está assim, meio caótico.

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  5. Estou quase com 50 e vc disse tudo o que gostaria de dizer, graças a Deus que estamos vivas para nos arrepender e encontrar no perdão de Deus a cura para essas feridas.Deus a abençoe por nos ajudar a externar e nos livrar assim mais ainda dessas angústias.

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