Memórias de um coração partido

Eu estava trabalhando quando alguém colocou um cd que me transportou para um dia ensolarado, em que eu pedalava em uma bicicleta rumo à Santpoort. A sensação era de liberdade e frio na barriga, afinal, não é todo dia que se pega uma bicicleta e pedala 20km pra explorar uma praia nova. Era de borboletas no estômago também, porque quem te indicou o álbum que saiu naquela semana foi ele, aquele por quem você ficava lutando contra o sono só para dar oi pelo chat, que te fazia ir para a cama sorrindo todos os dias, que estava presente em todas as suas melhores memórias.

É claro que nem tudo é doce, e de repente as borboletas no estômago começaram a parecer mais com um soco, daqueles quente fazem enxergar tudo verde e trazem o gosto amargo de bile no fundo da boca.

Nao é ele que está do seu lado. Ele está a 11000km de distância beijando outras garotas e colocando fotos na internet para todo mundo ver. Porra! E você está tentando fazer funcionar um relacionamento que não tem futuro, não tem as entranhas pegando fogo – nem de amor, nem de ódio depois de uma discussão boba sobre biscoitos integrais.

As lágrimas escorreram quentes e se misturaram com o suor. A placa indicava que eu saí do município de Santpoort. Porra! Como eu cheguei aqui?

De volta ao trabalho, percebo que alguém já trocou o cd já faz um tempo, mas os meus olhos ainda estão marejados e estômago reclama, daquele jeito quando precisa muito de um abraço.


 

5 comentários em “Memórias de um coração partido

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