No mundo das maravilhas universitárias

Olha, eu comecei a faculdade como quase todo mundo, 18 anos, logo depois da escola. Tive o meu primeiro contato com o Durkheim, com a ABNT, com o Hans Kelsen e com as calouradas. E as novidades pararam por aí.

Diferente de mim, os outros calouros sempre se mostraram muito deslumbrados com a recém chegada maioridade, cervejas, cigarros, festas, lidar com pessoas que não cresceram no seu bairro e que compartilham dos seus interesses…

Ainda bem que logo no segundo período eu resolvi mudar de faculdade (mas não de curso) porque queria ficar perto de gente mais madura e mais… discreta. Eu acabei indo pra uma faculdade particular bem prestigiosa onde também tinha muitos babacas, como em todas as outras escolas, mas uns babacas menos deslumbrados. Foi uma das melhroes coisas que fiz, e foi quando eu conheci dois dos meus melhores amigos. Estudar ao lado de filhos de senadores e de outras pessoas importantes foi engraçado e me ensinou que não, estudar Direito não era uma fórmula milagrosa para me tornar uma pessoa séria e bem sucedida, ao contrário do que as pessoas acreditam nas faculdades maiores. E me ensinou, também, que independente da fortuna da minha família (ou da falta dela), o melhor pra mim era fazer um curso que me interessava e me motivava. (Acho que já escreveram um livro sobre isso? Pai Rico Pai Pobre? Não sei, como vocês já notaram eu sou meio esnobe, esnobe o suficiente pra não ler livros de auto ajuda.)
Ok, e essa é a linda história que traz a gente pro dia de hoje: eu tenho 23 anos (e a minha primeira turma de Direito já se formou), e eu estudo jornalismo em uma faculdade particular enorme, eu tenho colegas calouros, colegas da minha idade e colegas mais velhos.
Eu lido com um grupo bem heterogênio e aprendi a tolerar as pessoas do jeito que elas são, e aprendi que em um turma de faculdade sempre vai ter uma, duas ou três pessoas que você vai conseguir se aproximar, se identificar, e talvez até criar laços mais fortes.
O que eu não aprendi foi como lidar com a van que me transporta da minha casa até a escola.
Veja bem: eu não tenho um carro, e pegar uma van custa o mesmo tanto que o transporte público, e apesar de o trajeto ser mais demorado, ele é infinitamente mais confortável. Mas é também um espaço pequeno onde você fica confinado por aproximadamente uma hora com pessoas diversas – uma extensão da experiência universitária.
Hoje o meu dia começou com uma caloura de arquitetura, que entrou na van completamente bêbada, e começou a relatar acontecimentos da noite anterior. Com todo esse bom senso de pessoa alcoolizada e com privação de sono, ela foi lá resolveu passar uma maquiagenzinha antes de chegar na aula. Óbvio que ela ficou parecendo um pouquinho com um palhaço. Óbvio que eu não falei nada porque achei que ia ser indelicado. Ela ela continuou contando sobre como ela tinha ido em tal lugar, como ela tinha uma prova de matemática dali a duas horas, como ela tinha brigado como uma amiga…
Eis que entra uma sapatão masculina na van – claro que eu não tenho nada contra sapatões, femininas ou masculinas, mas é que essa menina (que eu só sei que é uma menina porque ela tem nome de menina) parece que tomou um BANHO de colônia masculina barata. Sério. E ela tava sentada bem na minha frente. Era como se eu estivesse dentro de uma loja de perfumes do Shopping Oiapoque! Foi uma tortura. E eu percebi que ela usa uma aliança de compromisso de coquinho, igual a minha amiga Lika usava com um certo namorado e que eu nunca vou deixar ela esquecer. Nunca.
A menina bêbada resolveu ligar pra amiga pra relatar todos os fatos da noite que esta tinha esquecido. Diálogo por diálogo. Briga por briga. Daí veio a lista de terceiros, quartos, quintos, o que aconteceu depois, o menino que ela ficou – todas essas coisas que você não fala nem em voz alta, nem em público.
Em cena, entrou o motorista da van: gente boníssima, ele resolveu quebrar o clima e colocar o DVD Gusttavo Lima e Você.
Nesse ponto da manhã eu já estava me sentindo parte de um experimento.
Gente, o  Gusttavo Lima e Você tava usando, por baixo de um blazer, um moletom de capuz. Claro que o capuz estava pra fora do blazer pra fazer um ~~estilo~~, só não entendi que ~~estilo~~ era esse.
A sapatão masculina estava ouvindo a músiquinha da sanfona tão alto no fone de ouvido que o som se misturava, e eu não sabia onde terminava o “fon fon foron foron foron foron” e onde começava o sertanejo universitário do DVD.
Em um dado momento, Gusttavo Lima e Você tirou o blazer e eu descobri que não, não era um moletom por baixo do blazer. Era pior. Era um pesadelo. Era uma atrocidade. Era uma camisa xadrez com capuz. Não bastasse esse senso estético que foge à minha compreensão, o cantor -que parece um namorado-pivete que minha prima teve uma vez, porém sem tatuagens- começou a dar umas voltinhas em torno de si, com uma mão no cós de calça e a outra na cabeça. Acho que ele estava tentando fazer um rebolado sensual, não porque parecia um rebolado sensual, mas porque o público do show foi à loucura.
E quando eu achei que o dia não poderia ficar mais absurdo eu finalmente cheguei ao meu destino, mas não sem narrar todos os eventos para o meu melhor amigo, um mauriçoca que conheci naquela faculdade de playboys que mencionei anteriormente.
E é isso, essas são as minhas impressões sobre mundo universitário.

2 comentários em “No mundo das maravilhas universitárias

  1. Huaihioauhiouahiauio
    Comédia demais as aventuras na van. Mas, paciência né? Se é isso que a gente tem que fazer pra ter um diploma.. bora nessa! 😛

    Entrei na universidade com 19, depois de 1 ano e meio de cursinho. E nossinhora! Bem melhor! Esse deslumbramento da galera é mesmo engraçado! E na Psicologia o povo muda muito desde que entra até lá pro meio do curso e até chegar ao final.. é engraçado estar na metade do curso e ver a coisa toda acontecendo. As mudanças de pensamento.. de postura. Eu gosto do meio universitário. Não acho que deslumbramento seja ruim.
    Claro que o deslumbramento tem diferentes efeitos nas pessoas.. e em algumas é realmente irritante! 😛

    Enfim.. né?
    ;*

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