Gay Games – Paris 2018

Gay Games – Paris 2018

Num dia quente no final de julho eu estava andando pelo Marais, um bairro que concentra uma enorme quantidade de estabelecimentos gay-friendly em Paris, quando vi que um deles – uma padaria que produz pães em formatos pênis, dentre outras coisas – estava decorando a sua fachada com os arcos olímpicos. “São os Gay Games”, um amigo comentou. Eu nunca tinha ouvido falar do evento, mas ele estava para acontecer na capital francesa entre os dias 4 e 12 de agosto.

Na semana seguinte, esse mesmo amigo voltou de um jantar com a tia de um ex-namorado que estava na cidade e me contou uma história meio curiosa. Ela, a Adriana Agostini, natural de Juiz de Fora, tinha participado dos Gay Games em Chicago em 2006 jogando sinuca. O que é curioso na história é que ela não sabia jogar sinuca. Não é exatamente o que se espera de uma atleta competindo a nível internacional. Mas ela queria tanto participar do dos Gay Games que se registrou, e se preparou jogando com amigas em um bar gay em Belo Horizonte, o Mamãe Já Sabia, e em um site da internet que simulava partidas. Continue lendo “Gay Games – Paris 2018”

Paris – a fina arte de ser nômade dentro de uma cidade só

Paris – a fina arte de ser nômade dentro de uma cidade só

Quando eu coloquei a minha vida em duas malas e me mudei para Paris, eu sabia que não ia ser simples. Eu disse adeus para o meu cachorro, para uma rotina previsível em Belo Horizonte que incluía acordar todo dias às 7h da manhã, sextas-feiras no boteco e almoços de domingo com a família, e o conforto de ter um endereço fixo.

Eu vim para cá com a sorte de ter alguns amigos já morando aqui. Isso me ajudou em vários aspectos práticos e burocráticos, que não merecem atenção agora, mas também me serviu como janela para o futuro nos meses que antecederam a mudança, de forma que eu soube como seria a minha situação habitacional – mais ou menos.

Morar em Paris é caro, mas não só isso. Requer muito desapego porque os espaços são pequenos, muito menores do que se imagina. E para o estrangeiro, mesmo com um visto de residência, conseguir um contrato de aluguel é um processo quase que Kafkiano – ainda mais se você é um freelancer. A pessoa solteira na casa dos 20 anos que mora sozinha e tem um emprego mais ou menos bom, muito provavelmente mora em um studio (leia-se: studiô) situado em um dos 20 arrondissements que ficam dentro dos limites da cidade. Continue lendo “Paris – a fina arte de ser nômade dentro de uma cidade só”

Paris – semana 16

Paris – semana 16

“São as últimas semanas de verão por aqui e a cidade está meio deserta. Tem vários comércios fechados e só tem gente falando inglês nas ruas! Uma loucura. Estou só flanando por Paris hahaha. Como já mencionei uma vez, sou amiga do Rodrigo, que trabalha no Conexão Paris com a Lina. É muito gostoso ter ele aqui comigo porque o trabalho dele é basicamente visitar os pontos turísticos e interessantes da cidade para postar na internet, né? Então quando ele vai fazer uma coisa mais interessante e eu tenho os dias livres eu acompanho ele nos passeios. Tem sido uma temporada maravilhosa.

(…)

A minha vida aqui é mais modesta do que na casa da minha mãe no Brasil, mas estou vivendo com muito mais qualidade e segurança, sem contar que morar em Paris já é um luxo por si só. A cidade tem muita coisa para oferecer. Eu passo os domingos na beira do Sena, o que não tem preço! Meu ponto preferido é ali na Île Saint-Louis, porque depois gosto de passear pela ilha que é tão pitoresca! E às vezes estou a caminho de algum lugar para comprar um livro ou encontrar uma pessoa e passo por monumentos que a gente está acostumado em ver em livros e filmes. É muito engraçado. Eu gosto de visitar a Shakespeare and Company, que vende livros em inglês, e para chegar lá eu tenho que passar pela catedral de Notre Dame. Eu acho um escândalo olhar pra cima e ver as duas torres da igreja em um dia absolutamente comum! Tenho um amigo que mora bem perto da Sacré-Coeur também, e às vezes vamos tomar um vinho perto da casa dele e basta olhar pra cima que a catedral está lá, toda linda e imponente. É maravilhoso! Sem contar todas as vezes que a gente está andando pela cidade e vê, ou a torre despontando de algum lugar, ou as luzes dela no céu. Eu estou morando no XXème, perto de Nation. Nem é perto da torre, mas daqui da minha janela eu vejo a luz dela rodando no céu e dá aquele quentinho na barriga!

Estou um pouco triste porque o verão está chegando ao fim, os dias já estão ficando mais curtos. Não é nem que eu não goste do frio, mas a cidade está vibrando muito e eu sei que já já todo mundo vai ficar mais recolhido e não vai ser possível aproveitar tanto do lado de fora. As folhas estão começando a mudar de cor também, o que é lindo, né? Quero tirar um dia para fazer fotos, preciso descobrir os lugares mais bonitos para isso!”

Trecho de um email para minha querida cliente Adriana.

 

3 mensagens não lidas

3 mensagens não lidas

Às vezes esperar por um email se torna uma obsessão. Há 36 dias estou à espera de um sim na minha caixa de entrada, mas no lugar dele vieram várias outras coisas que me tiraram do sério. Primeiro veio um quase-não na forma de suspensão de um processo consular. O meu mundo veio por água abaixo e acho que os meus cabelos caíram quase todos também. Na urgência louca e inflamada de tentar resolver o problema que nem era meu para resolver eu esperei por vários outros emails, mas o problema dessa comunicação quase que arcaica e que só serve mesmo para formalidades, trabalho e outras chatices é que cada vez que sobe o número de mensagens recebidas o coração acelera, e quase sempre se trata de uma decepção. Mesmo assim eu não largo meu celular; abro o app do Gmail como um tique nervoso, a cada poucos minutos, às vezes segundos. No computador, a aba do email nunca está fechada. Já não é consciente o meu constante monitoramento do canto superior esquerda da tela – enquanto escrevo esse texto já chequei pelo menos três vezes. Tenho 3 mensagens não lidas e são todas de trabalho, para amanhã. Vou resolver essas tarefas todas o mais rápido possível para poder zerar a contagem e poder dar espaço à ansiedade que enche minhas tardes e noites.

Festa anos 2000 – a melhor pior ideia

Festa anos 2000 – a melhor pior ideia

Eu venho do passado, do futuro e de um universo paralelo para contar para vocês o que vai ser, ou o que seriam, das baladas-inferninho-público-menor-de-idade ou 18 anos – caso elas sigam/seguissem o modelo de resgate cultural tal como foi o revival dos anos 1980 lá na nossa adolescência.

Esse ano meus amigos decidiram comemorar o aniversário em uma festa épica com a temática anos 2000. Por semanas a gente compartilhou gifs, fotos dos celulares mais antigos que tínhamos em casa, hits da MTV de quando o Youtube ainda não existia e um download demorava em média 3 dias para concluir, etc, etc. Continue lendo “Festa anos 2000 – a melhor pior ideia”